Monthly Archives: Julho 2016

Fórum do mês de julho – Bullying

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O Bullying é um tipo especial de comportamento agressivo.

O Bullying acontece quando uma pessoa mais forte e poderosa magoa ou assusta uma pessoa mais pequena e fraca, deliberadamente e de forma repetida.

É manifestado por alguém (um indivíduo ou um grupo de indivíduos) e tem como alvo outro indivíduo. Há um envolvimento activo de, pelo menos, dois sujeitos: aquele que agride (o agressor) e aquele que é vitimizado (a vítima). Nesta perspectiva, trata-se de uma situação de vitimização”. (Seixas, 2005)

O bullying é caracterizado por determinados critérios: (Carvalhosa et al., 2001):

  1. a intencionalidade do comportamento: o objectivo é provocar mal-estar e ganhar controlo sobre outra pessoa;
  2. o comportamento é conduzido repetidamente e ao longo do tempo: não ocorre ocasionalmente ou isoladamente, antes passa a ser crónico e regular;
  3. um desequilíbrio de poder é encontrado: normalmente os agressores vêem as suas vítimas como um alvo fácil;
  4. O comportamento agressivo não resulta de qualquer tipo de provocação ou ameaça prévia.

 

O Bullying não é:

luta/ resolver um conflito;

um ritual de transição que faz parte do crescimento;

uma coisa de rapazes;

um fenómeno novo.

Hoje em dia é levado mais a sério pela sociedade (tragédias).

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Participantes de um comportamento de bullying:

Agressor

Seguidor (muitas vezes inicia as hostilidades)

Apoiante (participa na acção)

Apoiante Passivo (embora simpatizante do agressor não toma parte activa na agressão)

Observador Descomprometido

Defensor Passivo (apesar de não gostar do agressor não lhe faz oposição)

Defensor (não gosta do agressor e tenta defender a vítima)

Vítima

 

O Bullying pode assumir formas mais directas ou indirectas de expressão:

Físico (bater, empurrar, dar pontapés)

Verbal (chamar nomes, ameaçar)

Social/Relacional (exclusão, espalhar boatos, ignorar)

Sexual (abuso, gestos ou olhares ordinários)

E ainda … cyberbullying (recurso a ferramentas electrónicas)

A Internet é a nova parede da casa de banho.

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Tipos de Cyberbullying:

Criação de páginas na internet

Fazer-se passar por alguém

Grupos de intrigas

Publicação de vídeos e fotografias

Bullying directo (e-mail, MSN, telemóveis)

Inscrições indesejadas em sites.

 

Comportamentos de Bullying:

Maltratar os outros

Ameaçar e assustar

Bater

Deitá-los ao chão

Chamar nomes

Insultar

Estragar as coisas dos outros

Dizer coisas desagradáveis sobre os outros

Forçar os outros a darem-lhes as suas coisas ou dinheiro

Envergonhar os outros

Espalhar mentiras

Excluir os outros das actividades

Fazer comentários racistas

Troçar e rir-se dos outros

Fazer com que os outros se sintam inferiores, indefesos e pouco à vontade

Forçar os outros a fazerem aquilo que não querem

Provocar os outros porque são diferentes em algum aspecto

 

Há uma grande dificuldade em Avaliar as situações:

Dificuldade em avaliar a sua prevalência nas escolas: actividade secreta, que ocorre longe da vista dos adultos.

Cerca de 70% das agressões escolares ocorrem nos recreios.

Importância do apoio/ vigilância dos funcionários que trabalham nas escolas.

Com frequência os pais desconhecem.

 

Dados Preocupantes recolhidos de um estudo nacional:

15% dos alunos envolvem-se em situações de bullying.

6% são vítimas muito frequentemente.

4% são muito frequentemente agressores.

 

Relativamente aos agressores há uma maior tendência no futuro para:

delinquência e criminalidade,

rejeição entre pares,

doenças mentais (esquizofrenia e depressão-suicídio),

dificuldades escolares e de aprendizagem;

absentismo e abandono escolar,

abuso de drogas.

 

Relativamente às vítimas há uma maior tendência para:

negligência,

dificuldade em se concentrarem (desempenhos escolares mais baixos),

perturbações do sono e da alimentação,

depressão (suicídio),

níveis mais elevados de insegurança, ansiedade, solidão, infelicidade, sintomas físicos e mentais e baixa auto-estima.

 

Sinais que nos ajudam a identificar um agressor:

Agridem os outros como forma de lidar com os seus próprios problemas.

Manifestam uma grande necessidade de dominar os outros.

Agridem porque precisam de uma vítima (alguém que lhes pareça física ou psicologicamente mais fraco) ou

Para serem aceites e sentirem-se mais importantes/ populares e que têm o controlo.

Acham a agressividade justificável.

Têm dificuldade em controlar os seus impulsos.

São pouco empáticos com as vítimas e retiraram satisfação e prazer do medo e desconforto que lhes provocam.

Podem sentir raiva descontrolada: impulsivos, zangam-se facilmente e manifestam uma baixa tolerância à frustração.

Tendência para desafiarem a autoridade, quebrar as regras e serem provocadores com os adultos.

Podem envolver-se precocemente em comportamentos anti-sociais (vandalismo, roubo, extorsão, …).

Intolerância em relação às diferenças e manifestação de atitudes

Expressão de violência em brincadeiras simbólicas, textos escritos ou

Compram coisas ou têm coisas novas para as quais não teriam normalmente dinheiro suficiente (jogos, CD’s, roupas,..).

 

A agressividade mantém-se estável durante a adolescência. A agressividade física diminui, enquanto a agressividade relacional aumenta. Os rapazes são mais agressivos, mas as raparigas usam mais agressividade do tipo relacional.

 

Como identificar as vítimas:

Demonstram medo e falta de confiança.

Ansiosas e incapazes de reagir por si próprias quando agredidas.

Aspecto mais fraco e frágil.

Sinais não verbais de fragilidade (tendência para desviar o olhar, rubor, engolir em seco, falhar a voz).

Dificuldade em relacionarem-se com os outros.

Menos populares do que os agressores.

Frequentemente isoladas/excluídas do grupo nos intervalos.

Últimas a serem escolhidas para jogos de equipa.

Procuram a proximidade dos adultos durante os intervalos.

Não costumam trazer colegas da escola para casa, não passam tempo em casa de colegas e raramente recebem convites dos colegas para festas. Livros, materiais escolares ou outros pertences podem aparecer estragados ou escondidos.

Ferimentos, cortes, arranhões, nódoas negras, rasgões ou outros danos na roupa.

Parecem receosas ou relutantes em ir para a escola de manhã (queixas frequentes e repetidas de dores de barriga/cabeça).

Desmotivam-se do trabalho escolar, desconcentram-se facilmente, manifestam baixo interesse pela escola e diminuem o aproveitamento.

 

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A culpa é da Família?

Más práticas parentais que podem levar a um aumento da agressividade:

Fraca monitorização/ supervisão;

Medidas disciplinares excessivamente duras e inconsistentes;

Autoritarismo imprevisível;

Descontrolo emocional;

Chantagem;

Afectividade ambivalente.

 

O Papel da Comunicação Social

Os media são uma grande agravante para miúdos e miúdas que já têm tendências agressivas. Muitos programas elogiam comportamentos de bullying (Ex.: Ídolos).

 

Por que se calam as vítimas?

Quando a vítima demonstra sinais de perturbação, já estará envolvida, provavelmente, há algum tempo na situação.

Vergonha

Medo de represálias

Ignorância (não percebem o que lhes está a acontecer)

Resignação (acreditam que há algo errado com elas)

Negação (acham que vai passar simplesmente, tal como começou).

 

O papel das testemunhas

Cerca de 85% das crianças e adolescentes têm o papel de observadores.

Habitualmente são observadores passivos (não intervêm, nem condenam).

Se fizerem o correcto podem reduzir os incidentes em, pelo menos, 50%.

 

Deixo-vos um pequeno vídeo emocionante sobre o papel do Bullying na vida das crianças e a forma como este os pode afetar.

Esta atividade de Fórum permite debater e abordar novas ideias, visa o desenvolvimento e a discussão de temas atuais, relacionados com os temas propostos nas Unidades no âmbito da Formação. Participe deixando a sua opinião. Bom Fórum a Todos!