Monthly Archives: Março 2017

Fórum do mês de março – A Hiperatividade

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A hiperatividade é um dos componentes mais conhecidos do TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. A criança hiperativa mostra um nível de atividade maior que outras crianças da mesma idade, que acaba por incomodar as pessoas ao redor. A criança torna-se difícil de lidar, porque “não para quieta”, tem dificuldade em permanecer numa atividade – como brincar ou ver TV, e prejudica coisas importantes, como comer ou ouvir o que a professora diz.

A PH – Perturbação de Hiperatividade – é uma perturbação do neurodesenvolvimento caraterizada por dificuldades ao nível da atenção, da hiperatividade e/ou da impulsividade. A Perturbação de Hiperatividade (PH) é uma perturbação neurocomportamental que aparece geralmente na primeira infância e que se caracteriza por um excesso de atividade motora, impulsividade, acompanhado de dificuldades de atenção (manter a atenção/concentração num estímulo por algum tempo). Esta perturbação pode-se apresentar com variantes e os seus sintomas são valorizados quando causam impacto ou um prejuízo na aprendizagem escolar e no desenvolvimento sócio-afetivo.

Sinais de alerta mais frequentes:

– dificuldade para se concentrar num só estímulo;

– dificuldade em prestar atenção a detalhes;

– frequentemente parece não escutar ninguém mesmo quando dirigido a si;

– frequentes esquecimentos no dia-a-dia;

– frequentemente não acompanha instruções;

– distrair-se facilmente com objetos alheios à tarefa;

– atividades longas e complexas rapidamente tornam-se desmotivantes;

– dificuldade para organizar as tarefas ou o trabalho;

– dificuldade para manter uma estrutura ou uma rotina;

– não permanecer sentado por muito tempo;

– mexe mãos e pernas excessivamente em situações inadequadas;

– frequentemente corre ou sobe em locais inapropriados;

– impulsividade com frequentes respostas antes de tempo;

– dificuldade em esperar pela vez;

– frequentemente intromete-se ou interrompe os assuntos dos outros;

– recusa por tarefas que exigem esforço cognitivo continuado.

Para além destes sintomas, são várias as referências bibliográficas que descrevem a correlação existente entre a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) e as dificuldades de aprendizagem especificas. Neste sentido é de indicar que uma percentagem significativa da população que apresenta uma Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) apresenta igualmente associado um quadro de dificuldades na leitura, na escrita e/ou no cálculo.

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“Os pais de crianças hiperativas tendem geralmente a achar que o céu lhes caiu em cima. Não é fácil para eles mas para os filhos não é melhor.

Este distúrbio provoca sofrimento, problemas de integração, socialização e aprendizagem. Mas não aceite, vencido, o rótulo de filho problemático. Com o acompanhamento adequado, os milagres da concentração acontecem. Basta saber acompanhar a criança.

Os números assustam e, diz quem sabe, que a realidade ainda mais. A hiperatividade, nome pelo qual é conhecida a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), afeta entre 5 e 7 % das crianças em idade escolar.

É o segundo distúrbio do desenvolvimento mais frequente, depois da dislexia. Por isso, na escola, não é raro que exista pelo menos uma criança diagnosticada por turma. São, muitas vezes, consideradas crianças problemáticas mas, a verdade, são é desatentas e desconcentradas, o que resulta numa agitação permanente e anormal.

«São como um carro sem travões», descreve Nuno Lobo Antunes. Esta perturbação é uma dor de cabeça para pais, professores, mas, sobretudo, para as crianças, que sofrem o estigma de quem tem dificuldades de integração e aceitação. O que pode ter consequências devastadoras na formação e socialização dos próprios, bem como no seio da família. Não é à toa que pais com filhos hiperativos são mais propensos ao divórcio (a possibilidade é de três a cinco vezes maior).

Mas não é caso para resignações. A PHDA é crónica e, muitas vezes, cruel mas, com o acompanhamento certo, o diagnóstico bem elaborado, e doses reforçadas de paciência, amor e tolerância, é possível rescrever o guião de vida destas crianças. Quem o diz é o neuropediatra Nuno Lobo Antunes, que todos os dias trata crianças com este problema no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIn).

O que é a hiperatividade?

Vamos por partes. Antes de mais será o seu filho realmente hiperativo? «Muitos dos alunos etiquetados com esta perturbação não têm qualquer problema», desvenda Nuno Lobo Antunes. «Há crianças que manifestam mais vitalidade do que o normal ou que tentam chamar a atenção dos outros», acrescenta.

Por isso, se o seu filho é irrequieto, desatento ou tem uma energia inesgotável, não é caso para lhe fazer de imediato um diagnóstico doméstico de PHDA. Até porque as características desta perturbação, em especial na infância, são comuns a diferentes perturbações do desenvolvimento. Aos pais, professores, família e pediatra cabe estarem atentos aos sintomas, mas «procurar sempre especialistas que saibam fazer uma análise correta da situação».

É hereditária?

Há fatores preponderantes. Se um dos pais tiver tido PHDA, a probabilidade de os filhos desenvolverem a perturbação aumenta 50%. E uma coisa é certa, diz o médico: «Quando os pais tomam a decisão de nos trazer as crianças, seja por decisão própria ou recomendação do pediatra ou professor, existe sempre uma razão válida para tal». E se a intervenção for precoce, minimiza e muito os problemas que advêm da PHDA.

(…)

Como se trata?

Uma vez feito o diagnóstico, é altura para boas notícias. É difícil acreditar que elas existem, já que uma criança com PHDA aumenta em 50%  probabilidade de ter um acidente de bicicleta e em 33% a possibilidade de ir parar às urgências hospitalares. Mas a verdade é que há luz ao fundo do túnel. A intervenção farmacológica, ou seja, através de medicação, é, normalmente, a primeira escolha para tratar o distúrbio.

Com exceção das crianças abaixo da idade escolar, onde a intervenção é apenas comportamental. «Pode acontecer mas não é uma primeira escolha», sublinha o especialista. E se começa a ficar assustada, tenha calma. «A medicação não é um sedativo, é um estimulante», tranquiliza Nuno Lobo Antunes. E os resultados são imediatos? «Sim, muitas vezes são logo ao primeiro dia», atesta. E prossegue, dizendo que «quando não é, aconselhamos duas a três semanas antes de desistir do fármaco».

Tem cura?

O  diretor do CADIn lembra que, como qualquer medicação, a dose é ajustável. Isso quer dizer que os hiperativos estão condenados a medicação para o resto da vida? «Não, são medicados até pais, médico e adolescente acharem que é necessário », responde. «Normalmente, o problema passa com a chegada da idade adulta, quando há uma maturação do lobo frontal e os sintomas deixam de se manifestar», assegura.

E conclui que «o tratamento envolve também uma parte psicológica, porque a medicação resolve o défice de atenção, dirige a concentração, diminuindo a agitação, mas não resolve, por si, os problemas das relações interpessoais». Em alguns casos (um terço), a PHDA transita para a idade adulta. Mas não é caso para dramatismos. «O CADIn, por exemplo, tem uma consulta destinada a adultos com défice de atenção », revela em jeito de solução.

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Conselhos aos pais

Estas são algumas das recomendações que deve pôr em prática:

– Seja proativo. É preferível que antecipe a situação, evitando que aconteça, do que reagir a ela.

– Hierarquize as situações. Ponha as coisas maisimportantes em primeiro lugar, não reaja a todas da mesma forma.

– Tente compreender a situação do seu filho.

É importante que se preocupe mais com isso do que em querer ser compreendido. Se tentar, em primeiro lugar, entender a situação do seu filho, aumenta a probabilidade de ser correspondida, pois está a atuar como modelo.

– Utilize o reforço positivo com frequência. Reforce de forma imediata e sistemática o bom comportamento e as capacidades do seu filho.

– Não grite nem se exalte. Explique porque é que está a atuar dessa forma, mantendo a calma ao falar e agir. Não puna a criança em situação de conflito aberto ou em situação de birra. Nestes casos, retire a criança da situação geradora de conflito e espere que se acalme.

– Ajude o seu filho a organizar-se – Estabeleça rotinas adequadas às suas capacidades e reforce a sua realização.

– Mantenha sempre a calma. Pelo menos tente e treine. Manter uma atitude

firme mas tranquila é essencial para lidar com o seu filho.”

Texto: Sandra Cardoso com Nuno Lobo Antunes (neuropediatra e diretor clínico do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil -CADIn)

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